O botão de temperatura do ferro tem pontinhos e nomes de tecido, mas a maioria das peças chega em casa sem etiqueta legível — e é aí que se queima uma blusa. Este guia dá a temperatura em graus para cada tecido, explica o que os pontinhos do ferro significam de fato, e mostra a ordem em que se deve passar uma pilha de roupa mista para nunca errar.
O que os pontinhos do ferro querem dizer
A escala é padronizada internacionalmente e é a mesma que aparece no símbolo do ferrinho nas etiquetas de roupa:
- 1 ponto — até 110 °C. Sintéticos sensíveis: acrílico, nylon, poliamida, acetato, elastano.
- 2 pontos — até 150 °C. Lã, seda, poliéster, viscose e as misturas.
- 3 pontos — até 200 °C. Algodão e linho.
Se o símbolo do ferro estiver riscado, a peça não pode ser passada de jeito nenhum. Se estiver com um X embaixo, ele indica que não se pode usar vapor.
A regra de ouro: comece frio e vá subindo
O ferro esquenta em 1 ou 2 minutos e leva de 5 a 10 minutos para esfriar. Isso muda completamente a ordem de trabalho: separe a pilha por temperatura e comece pelas peças mais delicadas, com o ferro ainda morno, subindo até o algodão e o linho no fim.
Quem faz o contrário — começa pelo jeans a 200 °C e depois baixa para passar a blusa de poliéster — acaba encostando uma base ainda a 170 °C num tecido que derrete a 130 °C. É o acidente mais comum da tábua de passar, e ele acontece por pressa, não por falta de conhecimento.
Temperatura por tecido
Acrílico, nylon e poliamida — 110 °C, sem vapor
Derretem, não queimam: a fibra amolece e gruda na base do ferro deixando um brilho permanente. Passe sempre pelo avesso e com movimentos rápidos, sem parar o ferro num ponto.
Acetato — 110 °C, sem vapor, com pano
É o forro de muito blazer e vestido. Extremamente sensível a calor e à água: uma gota d’água em acetato quente deixa mancha. Use pano de algodão seco entre o ferro e a peça.
Elastano e peças com lycra — 110 °C, sem contato direto
Legging, roupa de academia e peças com 5% ou mais de elastano perdem a elasticidade com calor. Se precisar passar, use pano por cima e prefira apenas vapor à distância.
Poliéster — 110 a 150 °C, vapor leve, avesso
Aguenta mais que o nylon, mas ainda marca com facilidade. Comece no ponto mais baixo e suba só se o vinco não sair.
Seda — 140 a 150 °C, seca, sem borrifar
Seda mancha com água. Nada de borrifador nem de vapor: passe a peça levemente úmida por igual, nunca com gotas. Sempre pelo avesso, porque calor direto na face da seda cria brilho.
Lã — 150 °C, com vapor e sem deslizar
Lã não se passa como camisa. Cubra com um pano de algodão levemente úmido e trabalhe apoiando e levantando o ferro, região por região. Deslizar estica o tricô e achata a superfície, criando aquele lustro que não sai.
Viscose e rayon — 150 °C, peça úmida, avesso
Amassam muito e desamassam bem, desde que estejam úmidas. Viscose seca a mais de 160 °C fica quebradiça e ganha brilho.
Algodão — 180 a 200 °C, vapor liberado
O tecido mais fácil. Aceita vapor abundante e umidade. Camisa social sai melhor passada ainda levemente úmida do varal.
Linho — 200 °C, muito vapor, peça úmida
Precisa de calor alto e água para render. Linho seco simplesmente não desamassa. Peças escuras vão pelo avesso, porque linho ganha lustro com facilidade.
Jeans — 200 °C, pelo avesso
Suporta o máximo do ferro. Pelo avesso para não desbotar as áreas de maior atrito e não marcar os bolsos na frente da perna.
Sem etiqueta: como decidir
- Comece no 1 ponto, sempre.
- Teste num ponto escondido: bainha interna, dentro do punho, costura lateral por dentro.
- Passe o ferro por 5 segundos e observe. Se não desamassou, suba um ponto e teste de novo no mesmo lugar.
- Ao primeiro sinal de brilho, cheiro de plástico quente ou tecido que “cola” na base, pare e desça a temperatura.
Pelo toque, ajuda saber que sintético é liso, escorregadio e volta rápido ao formato quando amassado na mão; algodão amassa e mantém o vinco; linho amassa em vincos duros e bem marcados.
Estampa, aplicação e detalhe
- Estampa emborrachada, silk ou termocolante: nunca passe o ferro por cima, em nenhuma temperatura. Vire a peça e passe pelo avesso, e mesmo assim com pano.
- Botão, zíper e ilhós de metal: desvie. Metal quente marca o tecido em volta e pode arranhar a base do ferro.
- Bordado: passe pelo avesso sobre uma toalha dobrada, para o relevo não achatar.
- Veludo: só vapor vertical, nunca apoiar o ferro.
O que NÃO fazer
- Não passe roupa suja ou com mancha. O calor fixa a mancha na fibra e a transforma em permanente. Isso vale principalmente para suor e gordura, que às vezes nem estão visíveis antes de passar.
- Não borrife água em seda nem em acetato. Nesses dois tecidos, gota d’água é mancha.
- Não use vapor em tecido com etiqueta de vapor riscado. Em acrílico e nylon, o vapor amolece a fibra e o peso do ferro faz o resto.
- Não deixe o ferro parado apoiado na base, nem por poucos segundos, mesmo em algodão. Marca de sola de ferro é irreversível.
- Não comece pelo algodão para depois passar o sintético. Descer temperatura leva quase dez minutos, e ninguém espera esse tempo.
- Não passe direto sobre estampa, nem com a temperatura no mínimo. Estampa derretida gruda na base do ferro e ainda estraga a próxima peça.
Segurança na tábua
- A base do ferro a 200 °C causa queimadura de segundo grau em menos de um segundo. Ferro em uso é ferro na sua frente, nunca atrás.
- Deixe o fio para o lado oposto da beirada da tábua. Fio pendurado é o que faz criança derrubar ferro quente na cabeça.
- Não passe roupa apoiada na cama ou no sofá. Além do risco de queimar o móvel, a superfície mole faz o ferro tombar.
- Desligue da tomada ao terminar. Sistema de desligamento automático existe na maioria dos modelos novos, mas não é motivo para confiar.
- Guarde só quando frio, e sempre em pé.
Manutenção que muda o resultado
Base suja transfere sujeira. Resíduo queimado, cola de estampa e depósito de amaciante formam uma película marrom que sai na próxima camisa branca. Com o ferro frio e desligado, faça uma pasta de bicarbonato com um pouco de água, esfregue a base com pano macio e retire tudo com pano úmido. Se houver plástico derretido, aqueça o ferro no mínimo e raspe com um pano de algodão dobrado — nunca com objeto metálico.
Água: siga o manual do seu ferro. Onde a água é dura, o calcário entope os furos de vapor e sai em pinta branca na roupa. A solução prática é usar água filtrada ou misturar metade filtrada com metade da torneira. Esvazie o reservatório depois de usar.
Perguntas frequentes
Dá para tirar o brilho que o ferro deixou na roupa escura?
Em parte. O brilho é a fibra achatada refletindo luz. Umedeça um pano de algodão, coloque sobre a área e aplique vapor sem apoiar o peso do ferro, depois escove o tecido no sentido do fio com uma escova macia enquanto ainda está morno. Se o tecido chegou a derreter, não há recuperação.
Vaporizador vertical substitui o ferro?
Para desamassar camiseta, vestido de viscose, cortina e peça pendurada, sim, e com muito menos risco de queimar. O que ele não faz é vinco marcado: calça social, colarinho e punho continuam exigindo ferro e tábua.
Preciso passar toda a roupa?
Não. Boa parte do amassado se resolve tirando a peça da máquina assim que o ciclo termina, sacudindo com força e pendurando em cabide. Malha, moletom, roupa íntima e jeans de uso casual não pedem ferro. Passar o que não precisa só desgasta a fibra.
Derreti o tecido na base do ferro. E agora?
Desligue e deixe amornar um pouco, mas limpe antes de esfriar completamente, porque plástico frio endurece e adere. Use pano de algodão grosso e movimentos firmes. A peça de roupa, infelizmente, não tem conserto: a fibra derretida virou outra coisa.
Qual a temperatura para tecido misto, tipo algodão com poliéster?
Sempre a da fibra mais sensível. Numa camisa de 60% algodão e 40% poliéster, use a temperatura do poliéster, 150 °C, e compense passando a peça levemente úmida.
Resumo rápido
1 ponto até 110 °C para sintético, 2 pontos até 150 °C para lã, seda e viscose, 3 pontos até 200 °C para algodão e linho. Sem etiqueta, comece no mínimo e teste na bainha. Separe a pilha por temperatura e passe do mais frio para o mais quente, nunca o contrário. E jamais passe uma peça manchada.
Escreve os guias do Modo Rápido. Antes de publicar um passo a passo, testa o método, confere as recomendações do fabricante do material envolvido e inclui o aviso do que não fazer — porque boa parte dos estragos domésticos vem de receita popular aplicada na superfície errada. Escreve sobre limpeza, organização e as pequenas dúvidas práticas que aparecem no dia a dia de casa.
